Apneia do Sono: A Ampliação do Papel dos Dentistas no Tratamento
A apneia obstrutiva do sono é uma condição que afeta uma parcela significativa da população adulta no Brasil. Estudos epidemiológicos indicam que entre 33% e 40% dos brasileiros convivem com esse distúrbio, que ainda é amplamente subdiagnosticado, representando um sério problema de saúde pública.
O Cenário Atual e o Papel da Odontologia
Recentemente, a liberação do medicamento Monjauro como terapia auxiliar no tratamento da apneia do sono trouxe novas perspectivas ao debate clínico. Essa medida destaca a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, que integra a atuação dos cirurgiões-dentistas no manejo da doença. A apneia do sono é caracterizada por pausas repetidas na respiração durante o sono, e está associada a sérios impactos no sistema cardiovascular, no metabolismo e no desempenho cognitivo. Além disso, compromete significativamente a qualidade de vida do paciente.
A prevalência da apneia do sono aumenta com a idade. Dados mostram que cerca de 45% dos homens acima dos 40 anos apresentam algum grau da condição. Entre as mulheres na pós-menopausa, essa taxa varia de 30% a 35%, enquanto os casos moderados e graves representam aproximadamente 10% a 20% da população adulta. Isso reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Odontologia e Cuidado Integrado na Apneia do Sono
A dentista Sabrina Balkanyi, formada pela USP, ressalta que a apneia do sono deve ser vista como uma doença sistêmica, e não apenas como um distúrbio do sono. Ela explica que dentistas capacitados podem identificar sinais precoces, realizar diagnósticos complementares e participar do tratamento através de dispositivos orais que reposicionam a mandíbula e a língua, facilitando a passagem de ar durante o sono. A introdução do Monjauro como terapia auxiliar complementa outras estratégias já utilizadas, fortalecendo o cuidado integrado entre dentistas, pneumologistas e otorrinolaringologistas.
Dispositivos Intraorais e Novas Abordagens Terapêuticas
No consultório odontológico, uma das principais intervenções para tratar a apneia do sono é a adaptação de aparelhos intraorais personalizados. Esses dispositivos são especialmente indicados para pacientes com quadros leves a moderados ou que não se adaptam ao CPAP. Eles mantêm as vias aéreas abertas durante o sono e têm mostrado bons resultados quando bem indicados e acompanhados. Segundo Sabrina, os aparelhos intraorais têm um efeito mecânico e impactam diretamente a fisiologia da via aérea. Quando associados à perda de peso orientada, à higiene do sono e a terapias auxiliares como o Monjauro, os resultados tendem a ser mais consistentes.
Desafios do Subdiagnóstico
Apesar da alta prevalência, a maioria das pessoas que sofrem de apneia do sono desconhece sua condição. Sintomas como ronco intenso, sonolência diurna, cefaleia matinal, irritabilidade, boca seca e queda no desempenho cognitivo são frequentemente ignorados. A dentista destaca que o consultório odontológico pode ser a porta de entrada para a investigação do distúrbio. A tendência é que a odontologia do futuro esteja cada vez mais integrada à saúde sistêmica, permitindo que dentistas atualizados identifiquem riscos, orientem tratamentos e acompanhem casos complexos.
Com essa abordagem, o paciente ganha qualidade de vida e o sistema de saúde se beneficia ao reduzir os impactos do diagnóstico tardio.
Conclusão
A ampliação do papel dos dentistas no tratamento da apneia do sono é um avanço significativo que reflete a necessidade de um cuidado mais holístico e integrado. A colaboração entre diferentes especialidades médicas, aliada a novas terapias como o Monjauro, pode proporcionar aos pacientes um manejo mais eficaz e uma melhoria na qualidade de vida.
Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.


